Por @biaramsthaler
Idealizado por Jô Santana, o espetáculo “Marrom – O Musical” completa a trilogia do samba composta por “Cartola, o mundo é um moinho” e “Dona Ivone Lara – um sorriso negro”, todas montagens de Jô Santana que declara que há quase 10 anos teve despertada a vontade “de contar, no teatro, as histórias de minha gente, do povo da minha cor”.

Jô se tornou então referência de um tipo de teatro que leva ao palco de grandes montagens musicais um pouco do que há de melhor na cultura brasileira. Sempre com elenco predominantemente negro, Jô também abriu as portas das grandes salas de musicais para que mais e mais atores pudessem compartilhar com o público seu talento e a beleza das narrativas representadas por eles. Aliás, no elenco de “Marrom – O Musical” temos profissionais selecionados por meio de audição pública advindos inclusive do Estado do Maranhão. Para quem acompanhou a trilogia, em Marrom, é visível o crescimento também da qualidade da produção. Se em Cartola o palco ainda tinha pequenos vazios (preenchidos por grandes talentos), agora o equilíbrio é total. Com coreografia de Rafael Machado e Barbara Guerra, arranjos, direção musical, piano e regência de Guilherme Terra e texto e direção de Miguel Falabella, a narrativa conta a história da grande Alcione desde sua infância vivida no Maranhão. Aliás, para falar de Maranhão, criou-se uma narrativa mágica que atravessa a história da cantora com os elementos do bumba-meu-boi delicadamente contada pelo talentoso Lucas Wickhaus. Para quem não sabe, o boi do Maranhão é talvez uma das expressões mais fortes e bonitas da cultura popular brasileira. Diferentemente do boi do Norte, que ganhou projeção e status de grande evento, o boi maranhense mantém suas características populares ligadas às festas de rua e o som, predominantemente acústico, é abrilhantado com as matracas e os pandeirões aquecidos na beira da fogueira.
Mas voltemos ao musical! Com um elenco formado tanto por novos como por já conhecidos rostos que se integram com muito talento (dentre eles Lilian Valeska e Karin Hils), a história encanta e tem seu ponto alto com a canção “Não deixe o samba morrer”, de Aloisio Silva e Edson Conceição. Aliás, outra referência importantíssima no musical são os bordados presentes nos figurinos. Jô Santana, acompanhado pela equipe de figurinistas Lígia Rocha, Jemima Tuany e Marco Pacheco, esteve na Unidade Prisional Feminina de São Luís, no Maranhão ministrando uma oficina criativa com 15 mulheres da cooperativa social apoiada pelo Instituto Humanitas360 para a produção dos bordados presentes nos figurinos que compõem o espetáculo. A peça tem o patrocínio de Rede e da Volkswagen Financial Services e está em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, até 7 de novembro, sempre de sexta à domingo.

FICHA TÉCNICA
IDEALIZAÇÃO Jô Santana
TEXTO E DIREÇÃO Miguel Falabella
DIRETORA ASSISTENTE Iléa Ferraz
ARRANJOS, DIREÇÃO MUSICAL, PIANO E REGÊNCIA Guilherme Terra
ASSISTENTE DE DIREÇÃO MUSICAL Marcio Guimarães
COREOGRAFIA Bárbara Guerra e Rafael Machado
CENOGRAFIA Zezinho e Turíbio Santos
FIGURINO Ligia Rocha, Jemima Tuany e Marco Pacheco
ADERECISTA E COORDENADOR PROJETO MARANHÃO Rafael Mendes
PRODUÇÃO Fato Produções Artísticas
ELENCO Ágata Matos, Anastácia Lia, Carol Roberto, Daniela Santana, Eddy, Fernando Leite, Hipólyto, Jefferson Gomes, Joyce Cosmo, Karin Hills, Lázaro Menezes, Leandro Villa, Leilane Teles, Letícia Nascimento, Letícia Soares, Lilian Valeska, Lucas Wickhaus, Luci Salutes, Mariana Gomes, Millena Mendonça, Rafael Leal, Rafael Machado e Renato Caetano.
TROMPETE Bruno Garcia Fermiano
SAX, FLAUTA E CLARINETE Guilherme Montanha
VIOLÃO 7 CORDAS Bruno Vieira
PERCUSSÃO E CORDAS Marcio Guimarães
BATERIA E ALEGRIA Diego Pereira
BAIXO Felipe Rodrigues Mota
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