Quando o Vento Conta Histórias: a estreia literária de Vini Rigoletto como sopro de memória, identidade e afeto | AGENDE-SE

No Dia da Consciência Negra, o produtor cultural e gestor de exposições Vini Rigoletto lança Nini, o menino que o vento levou, obra que transforma lembranças, ancestralidade e sensibilidade estética em literatura, reafirmando sua trajetória marcada pela arte, pela escuta e pela construção de narrativas plurais

Vini Rigoletto, autor de “Nini – o menino que o vento levou” | FOTO: divulgação

Por tOn Miranda

No fim da tarde de 20 de novembro, quando o país reflete o que significa existir, resistir e florescer como povo negro, um vento poético atravessa o centro de São Paulo. Ele entra pelas curvas do Copan, desce pela calçada da Avenida Ipiranga e encontra abrigo na Livraria Megafauna — um dos epicentros da cena literária contemporânea. Ali, nesse dia tão simbólico, nasce um livro que não é apenas um lançamento: é um gesto de memória, um chamado de pertencimento e uma oferenda à sensibilidade. É o primeiro livro de Vini Rigoletto.

Nini, o menino que o vento levou (Mazza Edições) chega ao mundo como chegam as histórias mais profundas: sopradas pela ancestralidade, guiadas pelos afetos e nutridas por uma escuta que atravessa corpo, tempo e território. O autor, produtor cultural há 20 anos e atualmente responsável pela gestão de exposições do Instituto Moreira Salles (IMS), estreia na literatura com uma narrativa que mistura infância, identidade, poesia e herança. Mas sobretudo, estreia reafirmando algo que sempre esteve presente em seu trabalho: a capacidade de transformar arte e memória em caminho, instrumento e cura.

Vini Rigoletto: uma trajetória onde a arte é vento que ergue, sustenta e transforma

Há duas décadas, Vini transita entre teatro, artes visuais, música, museus e projetos especiais. Sua trajetória não é apenas variada — é coerente em sua essência. Ele se especializou em criar pontes: entre artistas e público, entre obras e espaços, entre narrativas e contextos culturais. No Museu da Língua Portuguesa, ajudou a levar a língua — essa entidade viva — a públicos diversos, com sensibilidade e técnica. Hoje, no IMS, contribui diretamente para exposições que se tornam marcos de memória e reflexão no país.

Sua expertise, porém, não se limita ao domínio técnico. Vini é um artesão da escuta. Alguém que entende que a arte se sustenta de relações, contextos e afetos. Criador do projeto “Minha Representatividade, Meu Empoderamento” — mostra fotográfica que celebrou identidades negras e percorreu o interior paulista — ele mostrou ao público o que já sabia de dentro: que fortalecer a autoestima de uma comunidade é também criar imagens, espaços e narrativas que refletem quem ela é.

E, agora, ao se lançar como escritor, ele revela outra camada de si: a do homem que transforma memórias em literatura, ventos em palavras e infância em poesia.

Vini Rigoletto – A estreia literária que nasce do afeto, da escuta e da coragem de lembrar | FOTO: Vitor Vieira / divulgação

O nascimento de Nini: quando a infância sopra memórias que pertencem a todos nós

Narrado em primeira pessoa, Nini, o menino que o vento levou apresenta um protagonista que observa o mundo a partir da rua Siqueira Campos — um território afetivo onde quintal, calçada e vento formam uma espécie de trilha sonora emocional do crescer. Nini tem cabelos rebeldes, desses que desafiam estruturas. E é justamente esse movimento dos fios que se torna o eixo da narrativa: o cabelo como símbolo de identidade, herança e resistência.

Na escrita de Vini, a infância é mais do que lembrança: é matéria viva. É instrumento de descoberta. É território onde o corpo aprende a escutar o mundo e, sobretudo, escutar a si mesmo. O menino descobre o próprio vento, mas também descobre a força dos mais velhos, a musicalidade dos gestos, a teatralidade da vida cotidiana e os rituais que moldam quem somos.

As ilustrações sensíveis de Thiago Amormino expandem essa atmosfera poética, criando um diálogo visual entre texto e imagem que transforma o livro em experiência estética completa.

Uma obra que honra narrativas negras, LGBTQIA+ e afetivas

Nini é mais do que um livro; é um gesto político e afetivo. Ele celebra:

  • as narrativas negras contemporâneas,
  • a pluralidade de vivências LGBTQIA+,
  • o protagonismo de corpos dissidentes,
  • a autoestima como patrimônio,
  • e a necessidade de ocupar a literatura com histórias que reconheçam e abracem diversidades.

Publicar essa obra no Dia da Consciência Negra é também uma afirmação: é dizer ao mundo que as narrativas negras — especialmente as que atravessam infância, sensibilidade e poesia — são urgentes, necessárias e profundamente transformadoras.

Um lançamento que é encontro, roda e travessia

O livro ganha ainda mais potência com o bate-papo que acompanha seu lançamento, ao lado de três convidados que são, cada um à sua maneira, ventos que deslocam estruturas:

  • Carol Berto, mentora de imagem e referência em estética afrocentrada,
  • Alê Garcia, autor premiado e uma das vozes mais potentes da literatura negra contemporânea,
  • Amanda Souza, comunicadora e ativista pela liberdade corporal com atuação nacional.

Eles não apenas acompanham Vini: eles expandem o livro, iluminam temas, aproximam público e reforçam a importância de criar espaços literários que celebrem corpos, memórias e identidades diversas.

Lançamento do livro com bate-papo com Vini Rigoletto, Carol Berto, Alê Garcia e Amanda Souza | FOTO: divulgação

A maturidade de estrear na literatura depois de 20 anos ouvindo o mundo

Vini chega à literatura não como quem começa, mas como quem transborda.

Depois de duas décadas atento aos processos artísticos, às histórias dos outros e às camadas da memória cultural brasileira, ele devolve ao mundo um livro que nasce da escuta profunda — a escuta que sempre guiou seu trabalho, seu olhar, sua ética.

Nini é fruto dessa escuta.
É fruto da maturidade.
É fruto da coragem de transformar o que foi vivido em narrativa.
E é fruto da compreensão de que escrever também é um ato de cuidado.

O que o vento levou — e o que o vento devolveu

O vento de Vini não arrasta; ele revela.
Não destrói; ele transforma.
Não leva embora; ele mostra o caminho.

Nini, o menino que o vento levou é uma obra que acolhe — crianças, adultos, memórias, silêncios e identidades. É um espelho que sopra leve, mas firme, dizendo: você existe, você importa, você pertence.

E pela delicadeza e potência dessa estreia, uma coisa é certa: esse é apenas o primeiro vento.
Outros virão.
E nós estaremos aqui para escutá-los.

Capa do livro “Nini – O Menino Que O Vento Levou” de Vini Rigoletto | FOTO: reprodução

SERVIÇO — LANÇAMENTO DO LIVRO

Nini, o menino que o vento levou, de Vini Rigoletto

20 de novembro de 2025 (Dia da Consciência Negra)
17h — entrada franca
Livraria Megafauna, Edifício Copan — São Paulo
Autor: Vini Rigoletto
Ilustrações: Thiago Amormino
Editora: Mazza Edições

Bate-papo de lançamento com:

  • Carol Berto
  • Alê Garcia
  • Amanda Souza

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