Fabricio Amaral – O maestro das travessias culturais | PERFIL

Fabricio Amaral: onde a gestão encontra poesia e propósito | FOTO: Morgana Nunes / Divulgação

Por tOn Miranda

Fabrício Amaral é dessas pessoas que carregam no corpo uma partitura inteira de mundos. Basta estar alguns minutos ao lado dele para sentir que há ali um artista da gestão, um construtor de pontes, um produtor que transforma desafios em possibilidades — sempre com o brilho nos olhos de quem acredita, profundamente, na potência da cultura como movimento, memória e futuro.

Há pouco mais de um mês, Fabricio assumiu a Coordenação de Ação Cultural do icônico Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, CE. Um gesto que é mais que um novo capítulo: é o reencontro de sua própria jornada com um território que pulsa diversidade, invenção e afetos. E é bonito perceber como tudo que ele viveu até aqui — Caatinga Criativa, CEÇA, produções com artistas potentes como Amaro Freitas, Luna Vitrolira, Daniel Medina e Lorena Nunes, parcerias com MASP, Prefeituras e órgãos públicos, atuação em editais, inovação cultural junto à ENAP e UNFPA, e a intensa experiência de mais de dois anos no Itaú Cultural lidando com dados, indicadores, acessibilidade e inteligência artificial — culmina nesse posto que tem tanto a ver com quem ele é.

Um olhar atento, uma escuta profunda: o jeito Fabricio de fazer cultura | FOTO: Morgana Nunes / divulgação

Fabricio é desses profissionais raros: sabe operar o agora, pensar o amanhã e honrar o ontem. Tem método, tem escuta, tem estratégia. Mas o que mais encanta é que ele carrega também um coração poeta, uma delicadeza firme, uma curiosidade que nunca se sacia. E, claro, um repertório musical que beira o sobrenatural. Quem convive sabe: Fabricio é um sebo musical de luxo ambulante, uma jukebox afetiva que passeia do cancioneiro nacional ao internacional com a precisão de um DJ de memórias — daqueles que acertam a trilha certa antes mesmo de você sentir a cena.

Este PERFIL é um convite para celebrar a pessoa espetacular que ele é: generoso, inteligente, apaixonado pelo que faz e movido por uma sensibilidade que transforma qualquer equipe, qualquer projeto, qualquer espaço. Fabricio Amaral é, antes de tudo, alguém que acredita no encontro — e é por isso que seu trabalho reverbera tão longe.

Que o Dragão do Mar voe ainda mais alto com ele. E que nós continuemos sendo presenteados com sua música silenciosa — aquela que ele escreve todos os dias por meio do cuidado, da ética e da beleza em fazer cultura no Brasil.

No Dragão do Mar, Fabricio Amaral inaugura novos voos | FOTO: Rosi Melo / divulgação

tOn Miranda: Qual a lembrança marcante você tem da sua infância?

Fabrício Amaral: Lembra quando o fantástico lançava videoclipes, no final da década de 80, início dos anos 90? Pois é, estava em casa num domingo à noite e fui à cozinha beber água. Quando voltei pra sala, meu pai estava sozinho vendo televisão e chorando e eu na “inocência de criança de tão pouca idade” fui na direção dele muito preocupado, perguntando o que tinha acontecido. Ele não me respondeu nada, só continuou olhando pra TV e vendo o clipe da música “Espelho” de João Nogueira, que estava passando naquele momento. Quando olhei pra TV e vi o clipe, ouvi a música, entendi tudo. Isso me marcou tanto, que muuuitos anos depois, tatuei o último verso dessa música no meu peito, para homenagear meu pai e minha mãe.

tOn: Quem é uma inspiração para você?

FA: Minha Mãe, Dona Eni. Mulher. Guerreira.

tOn:  Em que momento decidiu fazer do seu talento uma profissão?

FA: Olha, queria te contar uma história super bonita sobre isso, mas foi o completo oposto. Foi em um momento de crise, muito forte e muito pesada, venho profissionalmente de outra área, a engenharia, onde tive experiências que me marcam e me integram até os dias de hoje. Porém, em um ambiente de muita tensão e responsabilidade, adoeci. Burnout pesado! Depois de alguns meses vi que não fazia sentido gastar meu tempo de vida em algo que não estava alinhado ao meu propósito de vida, então resolvi investir meu tempo de vida em algo que realmente me move: a música.

Fabrício Amaral – Um sebo musical de luxo ambulante — e isso diz tudo | FOTO: Morgana Nunes / Divulgação

tOn: Qual artista faz a trilha sonora da sua vida?

FA: Essa é uma pergunta muito difícil pra mim. São vários e vai mudando no decorrer do percurso. Mas, hoje, acho que Milton Nascimento seria a trilha que eu escolheria pro filme da minha vida.

tOn: O que você ensinaria a você mesmo quando criança?

FA: Vai na boa, aproveita o caminho, vai dar tudo certo, já deu tudo certo… Queria muito ter podido me ensinar isso, mas na verdade acho que não aprendi até hoje. Venho tentando, mas a cada mudança eu me provo o contrário, a cada mudança tensões vêm e vão… Mas aos poucos vamos aprendendo…

tOn: Uma música…

FA: Velha Roupa Colorida (“…no presente a mente, o corpo é diferente e o passado é uma roupa que não nos serve mais…”)

tOn: Um lugar…

FA: A praia…

tOn: Um livro…

FA: A parte que falta

tOn: Um prazer…

FA: Pegar a estrada de carro, ouvindo uma boa música, em boa companhia

tOn: Uma saudade…

FA: Meu pai

Fabrício Amaral – Ele carrega repertórios — e devolve ao mundo novas possibilidades | FOTO: Morgana Nunes / Divulgação

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