Barulhinho Bom, 30 anos depois: quando a delicadeza vira pensamento | BARULHINHO BOM e VALE APENA OUVIR DE NOVO

O álbum de Marisa Monte que transformou o silêncio em linguagem, o afeto em política e a escuta em forma de existir

Marisa Monte e os 30 anos do álbum Barulhinho Bom – Uma Viagem Musical | FOTO: Jorge Rosenberg / divulgação

Por tOn Miranda

Em 1996, quando Barulhinho Bom – Uma Viagem Musical chegou às lojas, o Brasil vivia um tempo de reorganização. A estabilização econômica trazia certo alívio, mas não apagava desigualdades históricas, nem resolvia conflitos simbólicos profundos. Na cultura, a MPB buscava novos pactos entre tradição e contemporaneidade, entre sofisticação e comunicação ampla. Foi nesse contexto que Marisa Monte lançou um álbum que recusava o óbvio: um disco ao vivo acompanhado de um segundo disco de estúdio que não apostava na euforia, mas na escuta atenta.

Trinta anos depois, em 2026, Barulhinho Bom se impõe como algo maior que um registro de turnê. Ele se revela como documento sensível de um país, um álbum que pensa o Brasil a partir do corpo, da palavra, do silêncio e daquilo que insiste em permanecer humano mesmo quando tudo acelera.

Um álbum ao vivo que não congela o tempo: o contexto de 1996 e o “Escândalo” Ilustrado

Para entender o impacto de Barulhinho Bom, é preciso voltar ao Brasil de 1996. O país vivia a euforia da estabilidade econômica recente, a MTV Brasil ditava as regras do comportamento jovem e o CD era um objeto de desejo e status. Marisa Monte vinha do sucesso avassalador de Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994).

O álbum chegou às lojas causando um alvoroço que hoje, na era da internet sem filtros, pode parecer ingênuo. A capa trazia um desenho de Carlos Zéfiro, lendário autor de quadrinhos eróticos clandestinos (os “catecismos”) que, por décadas, manteve sua identidade oculta. A imagem de uma mulher com seios à mostra, traçada com a estética naïf-pornô de Zéfiro, fez o disco ser vendido em alguns lugares lacrado com plástico preto ou tarjas, e nos EUA (lançado como A Great Noise), a censura foi inevitável.

Capas do álbum Barulhinho Bom – Uma Viagem Musical com desenhos de Carlos Zéfiro e direção de arte de Gringo Cardia | FOTOS: reprodução / divulgação

A crítica da época dividiu-se. Enquanto a qualidade vocal e a produção sofisticada de Arto Lindsay eram unanimidades, alguns críticos torceram o nariz para o formato “híbrido” (um disco ao vivo e um de estúdio), rotulando-o como um mero “suvenir de turnê” ou questionando o ecletismo excessivo. O tempo, contudo, provou que esse ecletismo era a própria assinatura da MPB moderna que Marisa ajudava a construir.

Gravado durante a turnê do álbum Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão, Barulhinho Bom captura Marisa Monte num ponto raro de maturidade artística. O palco não é apenas vitrine: é espaço de escuta compartilhada. Respirações, pausas, pequenas imperfeições, tudo é incorporado como linguagem. O público não é ruído, ele é parte do arranjo.

A crítica de 1996 percebeu rapidamente que não se tratava de um disco “para tocar no rádio”, mas de um álbum para habitar. Um trabalho que unia MPB, tropicalismo, samba, pop, rock e canção experimental sem hierarquias, guiado por uma curadoria afetiva e rigorosa. Marisa não organizava um repertório: ela construía um pensamento musical.

Marisa Monte – Barulhinho Bom – Uma Viagem Musical | FOTO: Jorge Rosenberg / divulgação

A Estrutura: Dois Discos, Duas Marisas – letras como território de pensamento

O que dá longevidade a Barulhinho Bom não é apenas sua beleza sonora, mas o modo como suas letras se organizam como um ensaio poético sobre o Brasil e sobre o estar no mundo. Aqui, a palavra nunca é decorativa. Ela age, mesmo quando sussurra.

O projeto foi dividido conceitualmente. O primeiro disco, Ao Vivo, registrou a turnê Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão. O segundo, Em Estúdio, trouxe sete canções inéditas ou covers, servindo como um bônus de luxo.

O Disco Ao Vivo: A Celebração Tropicalista e a crítica da alienação e o cotidiano anestesiado

O registro ao vivo capturou Marisa no auge de sua performance teatral. A escolha de repertório não foi acidental. Ao abrir com “Panis et Circenses” (Caetano Veloso / Gilberto Gil, 1968), Marisa conectou o público de 90 com a Tropicália. A letra critica a classe média alienada (“As pessoas da sala de jantar / São ocupadas em nascer e morrer”). Em 1996, isso soava como uma crítica ao consumismo pós-inflação. Em 2026, a “sala de jantar” virou a “sala de estar das redes sociais”: virou feed, timeline, bolha digital. Mas segue “ocupada demais em nascer e morrer” para escutar o mundo. Marisa não ironiza, ela expõe, com elegância quase clínica, o cansaço histórico de uma sociedade que prefere o conforto à consciência, onde todos estão ocupados em performar vidas perfeitas enquanto o mundo queima lá fora.

O amor como pensamento que insiste

Canções como De Noite na Cama, Ainda Lembro e Ao Meu Redor constroem um núcleo íntimo poderoso. São letras sobre o que não se diz, sobre a memória que retorna, sobre a ausência que ocupa espaço. Em 1996, falavam de amadurecimento emocional. Em 2026, dialogam com um tempo que fala muito de amor, mas raramente sustenta o silêncio necessário para vivê-lo. Aqui, amar é também pensar, revisitar, responsabilizar-se.

Corpo, desejo e consentimento

Beija Eu segue sendo uma das letras mais corporais da música brasileira contemporânea. Seus verbos curtos — “seja”, “molha”, “beija” — constroem uma poética do encontro sem posse. Em 1996, já soava libertária. Trinta anos depois, consolida-se como texto-chave para pensar desejo, presença e consentimento. É uma canção que propõe o corpo como diálogo, não como domínio.

O show Barulhinho Bom – Uma Viagem Musical | FOTOS: divulgação

Feminilidade em movimento

A Menina Dança e O Xote das Meninas formam um diálogo precioso. Ambas tratam do corpo feminino em transformação, mas sem caricatura. Em 1996, eram leituras afetivas da tradição e do jogo amoroso. Em 2026, convidam a uma escuta crítica: o corpo feminino não como território de vigilância, mas de autonomia, descoberta e escolha.

Solidão como estado do mundo

Em Dança da Solidão, Paulinho da Viola transforma o vazio em coreografia. Não há espetáculo da dor, há aprendizado. Em 2026, essa letra conversa diretamente com a solidão ampliada pela hiperconectividade: estamos cercados e, ainda assim, sós. Marisa canta sem dramatizar, confiando no peso da palavra e no silêncio entre os versos.

Segue o Seco: o Brasil em estado de alerta

Em Segue o Seco, o álbum assume explicitamente sua dimensão de ensaio social. A letra de Carlinhos Brown transforma a seca em metáfora ampla: não apenas a falta de água, mas a escassez de escuta, de empatia e de projeto coletivo. É um poema sobre atravessar territórios áridos (físicos, políticos e afetivos) sem perder a capacidade de seguir. Em 1996, a canção soava como crítica aguda a um país que naturalizava a desigualdade e romantizava a resistência. Em 2026, ela se impõe quase como um documento profético, dialogando diretamente com a crise climática, o colapso ambiental e as persistentes assimetrias sociais. O que se transforma ao longo desses 30 anos não é a força da letra, mas o cenário que a confirma: o mundo se tornou mais seco, mais urgente, e a canção segue apontando, com lucidez e poesia, para a necessidade de cuidado, consciência e sobrevivência coletiva.

Marisa Monte durante a turnê de Verde, Anil, Amarelo, Cor de Rosa e Carvão que deu origem ao projeto Barulhinho Bom | FOTO: Jorge Rosenberg / divulgação

O disco no estúdio: o laboratório conceitual do álbum

Se o disco ao vivo registra a experiência coletiva, o disco no estúdio é o coração conceitual de Barulhinho Bom. Nele, o álbum se assume como reflexão sobre corpo, tecnologia, espiritualidade, natureza e percepção.

O corpo antes da palavra

Arrepio, de Carlinhos Brown, trabalha a letra como percussão. Poucas palavras e um canto-sereia inebriante que conduz a canção e justifica todo o álbum, impacto direto. Não há narrativa: há sensação. Em 1996, isso dialogava com a aceitação da canção como textura. Em 2026, funciona como antídoto a um mundo saturado de discurso. A música atravessa antes de explicar.

O encantamento como linguagem

Magamalabares constrói um universo surreal e afro-tropical, onde imagens infantis convivem com espiritualidade e crítica. Brown cria uma língua própria, em que o nonsense tem raiz, ancestralidade e corpo. Em 2026, dialoga com a cultura fragmentada contemporânea, mas com profundidade, não vazio.

O cotidiano como templo

Chuva no Brejo oferece a chave estética do álbum. O som da chuva vira música; o pequeno vira essencial. Em tempos de crise climática e aceleração constante, essa canção ensina algo radical: prestar atenção.

Marisa Monte e um dos shows da turnê Barulhinho Bom – Uma Viagem Musical | FOTO: Gerhard Rhul / divulgação

Tecnologia, humanidade e limite

“O cérebro eletrônico faz tudo / Faz quase tudo / Mas ele é mudo / O cérebro eletrônico comanda / Manda e desmanda / Ele é quem manda / Mas ele não anda”.

Cérebro Eletrônico talvez seja a faixa mais profética do disco. Em 1996, a internet discada engatinhava no Brasil. A regravação de Gil parecia uma homenagem retrofuturista. A composição de 1969 de Gil lembra que a máquina faz quase tudo, menos sentir, escolher, lidar com a finitude. Em 1996, era crítica ao tecnicismo, o “cérebro eletrônico” era o computador de mesa. Em 2026, com inteligência artificial e algoritmos moldando a vida, vira manifesto humanista: tecnologia não pode substituir consciência. E a ressalva de Gil permanece vital: “Só eu posso pensar se Deus existe”. A humanidade reside na dúvida espiritual que a máquina (ainda) não tem.

Esperança como escolha ética

Marisa transformou o pop rock de Lulu Santos de 1982 em uma balada suave e esperançosa. “Eu vejo a vida melhor no futuro / Eu vejo isso por cima do muro / De hipocrisia que insiste em nos rodear”. O Veredito do Tempo: 30 anos depois, a pergunta que fica é: a vida ficou melhor? A “hipocrisia” diminuiu ou apenas mudou de plataforma? Tempos Modernos insiste no futuro mesmo sabendo de suas contradições. “Eu quero crer no amor numa boa / e que isso valha pra qualquer pessoa” soa hoje menos como ingenuidade e mais como posicionamento político. A canção afirma a esperança como ato de resistência, quase como uma oração, um desejo de “crer no amor numa boa” em tempos de polarização extrema.

Festa, transe e abismo

Maraçá mistura carnaval, espiritualidade e estranhamento. A “glória de nada” cantada por Brown resume um Brasil que dança à beira do abismo e, ainda assim, inventa beleza. Em 2026, a leitura é quase sociológica: a festa como resistência e, às vezes, como anestesia.

Ver é criar

Fechando o disco, Blanco propõe a tese definitiva do álbum: “perceber é conceber”. O olhar cria o mundo que habitamos. Num tempo de disputa de narrativas e realidades fabricadas, essa canção devolve responsabilidade ao sujeito: cuidar do que se vê é cuidar do que se é.

Marisa Monte | FOTO: Jorge Rosenberg / divulgação

Curiosidades do Baú (30 Anos Depois)

George Harrison na Bahia: Uma das pérolas do disco ao vivo é o medley que inclui “Give Me Love (Give Me Peace on Earth)”. Marisa trouxe a espiritualidade do ex-Beatle para o contexto percussivo brasileiro, algo raríssimo de se ver na MPB da época.

A Menina Dança: A regravação do clássico dos Novos Baianos (1972) em Barulhinho Bom foi fundamental para reapresentar a obra de Moraes Moreira e Baby do Brasil para a geração Coca-Cola dos anos 90.

Carlinhos Brown Onipresente: Brown assina três faixas inéditas no disco de estúdio (Arrepio, Maraçá, Magamalabares), provando que ele foi o grande arquiteto sonoro daquela fase de Marisa.

Quando a música pede imagem: o audiovisual como extensão do afeto

“O ano era 1996. A ideia era promover encontros musicais com parceiros e amigos, sem ensaio e com total liberdade para serem filmados. Tocamos e cantamos as músicas que amávamos, nosso repertório afetivo comum, entre gargalhadas e olhares cúmplices. Ouvir esses registros hoje me faz sorrir ao lembrar de dias luminosos, no meio da natureza, com a cidade aos nossos pés, pertinho do céu, vivendo um sonho encantado daquele momento musical coletivo. Uma viagem musical.”— Marisa Monte

Lançado na mesma época do álbum, o Home Video / DVD de Barulhinho Bom – Uma Viagem Musical amplia o projeto para o campo do audiovisual com a mesma delicadeza e liberdade que marcam o disco. Dirigido por Claudio Torres e Lula Buarque de Hollanda, da Conspiração Filmes, o filme vai muito além do simples registro da turnê Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão. Ao intercalar números musicais do palco com flashes da vida na estrada, ensaios inexistentes, gargalhadas, conversas e encontros improváveis, o DVD constrói um retrato íntimo de um momento luminoso da música brasileira. É ali que Marisa Monte reúne amigos, parceiros e ídolos — dos Novos Baianos (Baby do Brasil, Dadi, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Pepeu Gomes e Jorginho Gomes) a Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, passando pelas pastoras da Velha Guarda da Portela (Doca, Eunice e Surica), Paulinho da Viola e o violonista Raphael Rabello.

Marisa Monte e Carlinhos Brown à esquerda e Baby do Brasil e Marisa Monte à direita em cenas do filme Barulhinho Bom – Uma Viagem Musical | FOTOS: reprodução / divulgação

Para abrigar esses encontros, o cenário escolhido foi o antigo Hotel das Paineiras, então abandonado, encravado na Floresta da Tijuca, aos pés do Corcovado. Lugar de memória e que já havia sido concentração da seleção brasileira de futebol nas décadas de 1960 e 1970, o espaço empresta ao filme uma atmosfera suspensa entre ruína, natureza e encantamento. Ali, sem ensaios, abertos ao improviso e ao acaso, os músicos tocavam uma vez e gravavam em seguida, como se a câmera fosse apenas mais um convidado. Dessa liberdade nasceram momentos únicos, como a criação espontânea de “Batom no Dente”, surgida no ato a partir de uma conversa entre Marisa, Brown, Antunes e Davi Moraes. Com 25 músicas, entre registros de shows, vinhetas, jam sessions e números a capella, o DVD tem vida própria, mas se integra organicamente ao mosaico sensorial de Barulhinho Bom — um projeto em que música, imagem, afeto e paisagem se confundem. Mais do que um produto audiovisual, o filme é a tradução visual de uma ideia de arte em que não há separação entre vida e música: tudo acontece junto, em estado de presença.

Capa do DVD/ Homevideo Barulhinho Bom – Uma Viagem Musical | FOTO: reprodução / divulgação

Um álbum para ouvir com o corpo inteiro

Em 1996, Barulhinho Bom falava a um país em reorganização. Em 2026, ele fala a um Brasil atravessado por crises recorrentes, hiperconectividade, colapsos ambientais e disputas simbólicas intensas. O que mudou foi o cenário. O que permaneceu foi a pertinência das perguntas.

Barulhinho Bom não envelheceu porque nunca dependeu da moda. Ele depende da condição humana. É um disco que ensina a ouvir: o outro, o mundo, o silêncio, o próprio pensamento.

Num tempo de ruídos constantes, discursos inflamados e excesso de informação, Marisa Monte nos lembra que, às vezes, é no barulhinho bom, quase imperceptível, que mora aquilo que realmente importa.

Ao ouvir Barulhinho Bom três décadas depois, a conclusão é que Marisa Monte não fez apenas um registro de turnê. Ela capturou o espírito de um tempo em que o Brasil queria ser moderno sem perder a raiz, e nos deixou um mapa para navegar os tempos complexos que viriam. A profecia se cumpriu: o cérebro eletrônico manda, mas ainda somos nós, as pessoas da sala de jantar, que decidimos se vamos apenas “nascer e morrer” ou se vamos, finalmente, viver tudo que há pra viver.

Marisa Monte e o show Barulhinho Bom realizado em Dezembro de 1997 na Praça da Paz do Parque Ibirapuera diante de uma plateia de 140 mil pessoas e tendo como convidado especial Carlinhos Brown e no final do show uma canja com Arnaldo Antunes | FOTO: Jorge Rosenberg / divulgação

Nota final: por que Barulhinho Bom dá nome a esta coluna

Barulhinho Bom também dá nome à minha coluna sobre música no Canal Diversão & Arte por dois motivos que se entrelaçam: um simbólico e outro profundamente pessoal. O primeiro diz respeito à grandeza conceitual deste álbum, que consegue, como poucos, retratar uma época a partir do resgate cultural, da tradução contemporânea das tradições e de um olhar generoso e atento para o futuro. Barulhinho Bom é sobre escuta, atravessamento, encontro e permanência — valores que orientam não apenas este disco, mas a forma como escolhi escrever, pensar e compartilhar música por aqui.

O segundo motivo é afetivo e fundador: foi com este projeto que vivi meu primeiro show de Marisa Monte. Um show totalmente gratuito, realizado em dezembro de 1997, na antiga Praça da Paz, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Ali, diante de uma multidão (de mais de 140 mil pessoas – um recorde para aquela época) diversa e reunida pela música, Marisa dividiu o palco com o convidado especial Carlinhos Brown, numa manhã/tarde que permanece viva na memória como rito de passagem. Foi ali que compreendi, pela primeira vez, que a música pode ser ponte, formação, horizonte e casa. Dar a esta coluna o nome Barulhinho Bom é, portanto, um gesto de gratidão à arte que forma, ao afeto que permanece e à música que continua apontando caminhos.

Marisa Monte no show do Parque Ibirapuera de Dezembro/ 1997 | FOTOS: Jorge Rosenberg / divulgação

Ouça aqui o álbum Barulhinho Bom – Uma Viagem Musical

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