
Taís Araújo em Mudando de Pele | FOTO: divulgação
Saiba mais sobre a nova peça de Taís Araújo, que esgotou ingressos em poucos minutos, atraiu pessoas de outros estados e tem gerado longas filas de espera para conseguir o ingresso de desistentes.
Por Thiago Nunes
Em dado momento de Mudando de Pele, a protagonista Mayah conta que sentia que não havia chegado à casa de Mildred, mas sim retornado. De um lugar que pertencia a ela. É interessante analisar essa fala após a leitura do programa da peça – material hoje quase em desuso, mas muito importante para os espetáculos – onde Taís Araújo define o teatro como reencontro.
Ao longo de 80 minutos, temos a sensação de reencontro. A protagonista passa por desilusões corporativas, amorosas e até mesmo de identidade. Seja ao notar uma jovem mulher preta que não abaixa a cabeça pra nada, ou uma mulher preta mais velha que não parece estar conectada ao seu passado, ou ancestrais como Mayah define.
Mudando de Pele é um ponto de recomeço muito interessante para a protagonista Mayah, que começa a entender que dentro da comunidade de mulheres pretas existem vários outros recortes que ela não conhecia. Seja o da geração Z, ou o da mulher que sabe e conhece cada mazela da vida. Mas não só isso.
O espetáculo é um recomeço também para Taís Araújo, que atua também como produtora. Ela conta que, após analisar o texto de seu retorno ao teatro, sabia que precisava ser de uma narrativa escrita por uma mulher preta. Ela também soube na exata hora em que leu texto original de Amanda Wilkin, que aquele era o encontro que precisava trazer para os palcos.

Foto: Divulgação
Taís contou recentemente, em entrevista ao programa Sem Censura da TV Brasil, que para construir sua personagem Raquel adotou um método de atuação diferente, e que se orgulha muito dos lugares onde conseguiu alcançar – e todos nós que vimos, aplaudimos de pé a força de atuação. E mesmo tendo se desafiado, Taís não parou. Buscou um espetáculo em que pudesse trazer uma versão diferente de si mesma. Como se ela própria estivesse deixando para trás tudo o que sabe, tudo o que aprendeu e estivesse recomeçando.
Mas estamos falando de uma das maiores atrizes do país. Seu magnetismo é traduzido em sua voz eloquente, no uso do palco como extensão de seus recursos e na postura corporal – rígida nos momentos em que Mayah passa por alguma dor ou dilema, solta quando ela tenta se encontrar e até mesmo nos passos de dança que traz brilhantemente ao palco.
É impossível não mencionar a sincronia brilhante em palco com Dani Nega, responsável pela direção musical e composições originais e Layla que, além do steel pan, toca também a Kora. Ambos os instrumentos têm uma origem interessante.
O steel pan surge após a proibição do governo britânico aos bastões e tambores no século XIX, e também ao tamboo-bamboo na década de 30, para evitar que as pessoas escravizadas fizessem seus festejos. E foi só na década de 70 ou 80 – a BBC não consegue declarar com certeza – que as mulheres passaram a tocar o steel pan. Já a Kora é um instrumento feito de cabaça com fios de harpa – um dos sons mais bonitos que um instrumento pode produzir.
Essas escolhas, além de conferir uma experiência de som única, comprovam a verdade do que Taís escolheu para o espetáculo: ele é feito majoritariamente por mulheres pretas, respeitando e resgatando a cultura ancestral mas para todo um público. A equipe promove e propõe reflexões enriquecedoras acerca do papel da mulher não só na sociedade, como em sua própria vida.

Fotos: Daniel Pinheiro/Brazil NewsExpressão e Ruptura
Tudo isso passa pela direção da consagrada Yara de Novaes, que conduz o espetáculo em um ritmo acelerado e faz do espaço cênico um elemento vivo. As trocas de figurino, feitas dentro de uma mesma peça de roupa, são um exemplo preciso disso: cada transformação traduz uma camada da personagem sem que ela precise sair de cena.
Mudando de Pele: a nova peça de Taís Araújo
O espetáculo retrata a história de Mayah (Taís Araújo), uma mulher de quase 40 anos que se sente inadequada e decide romper com tudo que a oprimia: seja relacionamentos pessoais ou profissionais. Movida pelo desejo de mudança, o processo de mudança de pele de Mayah se aprofunda quando ela conhece Mildred, uma senhora jamaicana de 90 anos que lutou pelos direitos civis, e Kemi, uma gen-Z que não pede licença ou desculpas por e para ser quem é. A partir desses encontros – ou reencontros – Mayah se transforma enquanto aprende a reconhecer seu próprio valor e a si mesma.
O retorno de Taís Araújo ao teatro
Taís estreou no teatro em 1993, ainda uma menina. Em seu terceiro trabalho, em 1997, esteve em uma montagem de Orfeu da Conceição. Nesta época, ainda muito jovem, já havia sido alçada ao estrelato após protagonizar Xica da Silva. Mas isso não fez com que ela se acomodasse. Buscou diferentes textos e montagens para experimentar diversas versões de seu ofício e de si mesma como em “O Método Grönholm”, “Amores, perdas e meus vestidos”, “Caixa de Areia”e “O topo da montanha”sucesso de crítica e público que permaneceu por cinco anos em cartaz. Agora, em sua décima terceira peça, Taís se desafia em seu primeiro solo.
Sobre a diretora: Yara de Novaes
Yara de Novaes é atriz, diretora e professora de teatro com décadas de carreira. Já dirigiu textos de Nelson Rodrigues a Shakespeare, passando por Dostoiévski e chegando a autoras contemporâneas. Seus dois últimos trabalhos na direção, Lady Tempestade com Andréa Beltrão e Prima Facie com Débora Falabella, foram ambos indicados ao Prêmio Shell. Mudando de Pele é o primeiro solo que dirige com Taís Araújo.
Quem é Amanda Wilkin, autora de Mudando de Pele?
Amanda Wilkin é dramaturga e atriz londrina. Escreveu Shedding a Skin — o texto original de Mudando de Pele — e venceu com ele o Verity Bargate Award em 2020, um dos prêmios mais importantes para novos dramaturgos do Reino Unido. O espetáculo estreou no Soho Theatre em 2021 com enorme repercussão crítica.
Onde assistir Mudando de Pele?
Mudando de Pele está em cartaz no Teatro Raul Cortez, localizado no SESC 14-Bis, com temporada até o dia 05 de julho de 2026.
As sessões acontecem quinta, sexta e sábado às 20h e domingos às 18h.
Nos dias 13/06, 19/06 e 05/07, as sessões acontecerão às 15h, devido ao calendário da Copa do Mundo.
Sessões com tradução em Libras
25, 26 e 27/06, às 10h; 28/06 às 18h
Sessões com audiodescrição
27/06 às 20h, 28/06 às 18h
Quanto custa o ingresso?
A modalidade de ingresso inteira custa R$80 (oitenta reais), meia-entrada custa R$40 (quarenta reais) e pessoas credenciadas ao SESC, pagam R$24 (24 reais)
Ingressos esgotados? Conheça a fila da esperança.
Os ingressos para Mudando de Pele esgotaram em poucos minutos na venda online e no mesmo dia nas vendas presenciais. Mas ainda há uma chance de assistir ao espetáculo.
Entre em contato com o SESC e diga que tem interesse em participar da fila da esperança (nome dado por Taís Araújo) e saiba como fazer para participar e garantir uma vaga no espetáculo.
Na sessão de domingo, 07 de junho, cerca de 30% do público presente não conseguiu comprar o ingresso na modalidade de vendas normais e conseguiram depois, na fila de espera.
Não perca a oportunidade.
SESC 14-Bis — endereço e como chegar
A Unidade funciona de terça a sábado, das 10h às 21h, e domingos e feriados, das 10h às 19h, e fica localizada em São Paulo, na Rua Dr. Plínio Barreto, 285, bairro Bela Vista.
Dentro do complexo do SESC 14-Bis, está o Teatro Raul Cortez, inaugurado em 2005, que reúne versatilidade e tecnologia e pode funcionar tanto como auditório quanto como teatro. Com capacidade para 523 lugares, o espaço recebe peças teatrais, shows musicais e espetáculos de outras linguagens artísticas.
Como chegar:
De metrô: a estação mais próxima é a Trianon-Masp (Linha 2-Verde), a cerca de 700 metros. A estação Anhangabaú (Linha 3-Vermelha) fica a aproximadamente 2 km.
De ônibus: o ponto Getúlio Vargas 2 (sentido Centro-Bairro) está a 260 metros e o ponto Parada 14 Bis (sentido Bairro-Centro), a 280 metros.
Após os espetáculos, há transporte gratuito da unidade até a estação Trianon-Masp, consulte horários na bilheteria.
Estacionamento: o complexo conta com estacionamento no subsolo com vagas para carros, motos e bicicletas.
Ficha técnica
Dramaturgia original: Amanda Wilkin
Elenco: Taís Araujo, Dani Nega e Layla
Direção: Yara de Novaes
Tradução: Diego Teza
Dramaturgismo: Nathalia Cruz
Diretora assistente: Ivy Souza
Diretora de movimento e colaboração artística: Cristina Moura
Direção musical, arranjos eletrônicos e criação musical: Dani Nega
Arranjos para kora e steel pan: Layla
Preparadora vocal e fonoaudióloga: Janaína Pimenta
Cenografia: André Cortez
Design de luz: Gabriele Souza
Design de som: Arthur Ferreira e Gabriel Salsi
Figurinos: Teresa Nabuco
Videografismo: Alice Cruz e Letícia Leão
Visagismo: Adriana Teixeira
Assistente de cenografia: Alice Cruz
Assistente de figurinos: Michelle Rabischoffsky
Costureiras: Sonia Maria da Silva
Alfaiate: Fábio Martins
Diretor técnico: Ricardo Vivian
Coordenação de palco: Antônio Lima
Técnico de som e microfonista: Gabriel Salsi
Técnico de luz e operação: Ricardo Vivian
Técnico de montagem: Iuri Wander
Contrarregra: Nivaldo Vieira
Construção da cenografia: André Salles
Equipe de comunicação | Trigo Casa de Comunicação
Coordenação de comunicação: Antonio Trigo
Assessoria de imprensa: Laís Gomes e Renata Ramos
Direção de Branding e Digital: Nilma Quariguasi
Coordenação de Branding: Marília Cotrim
Conteúdo digital | Digimakki
CEO: Victoria Oliveira
Coordenadora Digital: Carla Azevedo
Analista Digital: Itaiara Andrade
Identidade visual: Fábio Arruda e Rodrigo Bleque | Cubículo
Fotos: Pedro Napolinário
Arte finalista: Marcos Nascimento
Diretora de produção: Verônica Prates
Coordenadora de projetos: Valencia Losada
Produção executiva: Camila Camuso
Assistente de produção: Ellen Miranda
Assessoria jurídica: Bruno Mros
Produtora Taís Araujo: Cecília Bastos
Produção Geral: Quintal Produções e AXIC’S
