Finalista do Prêmio Jabuti, romance de Marília Passos ganha adaptação teatral protagonizada por Gabriela Rosas e dirigida por Fernando Philbert. Dinho Santoz e a Sete Veredas Produções respondem pela produção e gestão do projeto.
Por Bia Ramsthaler | @biaramsthaler
Transformar um romance em espetáculo teatral não significa apenas transpor uma história de uma linguagem para outra. É preciso descobrir o que permanece, o que se modifica e quais novas possibilidades surgem quando a palavra escrita encontra o corpo, a voz, o espaço e a presença do público. Esse foi o percurso de “Selvagem”, romance de Marília Passos (@mariliapassos) publicado em 2022 e finalista do Prêmio Jabuti em 2023, que chega ao palco em formato de monólogo.

Com texto de Marília Passos e direção de Fernando Philbert (@fernando_philbert), a montagem estreia no dia 13 de agosto, no Teatro Gláucio Gill, no Rio de Janeiro. Gabriela Rosas (@gabirosas) interpreta Mariana, uma obstetra brasileira que, desencantada com o casamento e com a vida que construiu no Brasil, decide seguir para o Sudão do Sul como voluntária em uma missão dos Médicos Sem Fronteiras.
A mudança coloca a personagem diante de uma realidade marcada pela guerra civil, pela violência e pela instabilidade. Longe de suas referências, Mariana precisa lidar com novos desafios profissionais e afetivos. Nesse contexto, conhece Nino, um médico que lhe apresenta outras formas de compreender o mundo, o amor e a própria existência.
Embora se desenvolva em um território atravessado por conflitos, “Selvagem” não tem a guerra como seu tema principal. O centro da narrativa está na transformação de Mariana e na coragem necessária para interromper uma vida aparentemente estável, enfrentar o desconhecido e reconhecer os próprios desejos.
“A ideia nasceu do desejo de contar uma história de amor ambientada em um lugar extremo. O Sudão do Sul surgiu justamente por reunir tragédia e força, violência e encantamento. Mas, ao longo da escrita, percebi que essa era, acima de tudo, a história de uma mulher que encontra coragem para romper com uma vida infeliz e descobre que a transformação que procura não está no outro, mas dentro de si”, explica Marília Passos.

Do romance à cena
A adaptação é assinada por Marília Passos, Gabriela Rosas e Fernando Philbert. O trabalho conjunto permitiu que a trajetória da protagonista fosse reorganizada para o palco, preservando os temas centrais do romance e, ao mesmo tempo, explorando as particularidades da linguagem teatral.
Para Marília, esse processo não se limitou à redução ou reorganização do texto original. A passagem para o teatro trouxe novas possibilidades para a própria obra. “A adaptação do livro para a peça foi muito rica. Novas camadas e leituras surgiram ao longo desse percurso. A criação nunca termina”, afirma.
O formato de monólogo concentra a narrativa na experiência de Mariana e aproxima o público de suas lembranças, dúvidas, escolhas e contradições. Sozinha em cena, Gabriela Rosas conduz uma história na qual fragilidade e força não aparecem como elementos opostos, mas como dimensões de uma mesma experiência.
“O que mais me emociona ao interpretar Mariana é acompanhar a coragem dela de sair de uma vida estável e se lançar ao desconhecido em busca de se sentir viva novamente. Ao enfrentar situações extremas, inclusive no amor, ela encontra força para seguir em frente e transformar a própria história”, destaca a atriz.
A encenação também abre espaço para questões relacionadas à maternidade, à sobrecarga mental, aos limites impostos ao corpo feminino e às violências que podem estar presentes na vida cotidiana. Para Fernando Philbert, essas questões se organizam a partir da mudança vivida pela protagonista.
“O foco da peça não é a guerra nem a violência em si, mas a transformação dessa mulher. O que nos interessava era acompanhar essa virada de chave, a descoberta de uma nova forma de viver e de amar”, explica o diretor.
Produção e gestão do projeto
A realização de uma montagem teatral envolve um trabalho que ultrapassa o processo desenvolvido na sala de ensaio. É necessário articular criação, planejamento, equipe técnica, administração, comunicação e execução para que o espetáculo possa efetivamente chegar ao público.
Em “Selvagem”, a produção e a gestão do projeto são assumidas por Dinho Santoz e pela Sete Veredas Produções, responsáveis pela condução das diferentes frentes necessárias à realização da montagem.
Ator, produtor, editor, diretor de produtos audiovisuais, web designer e programador, Dinho Santoz (@dinhosantoz) reúne experiências em diferentes campos da produção cultural e da comunicação. No Canal Diversão & Arte, é responsável pela execução técnica, apresentação e edição de formatos como “Programa Nos Bastidores” e “Programa SETE”. Também atua no “Faz Parte do Show”, veiculado pela Soul TV.
No audiovisual, trabalhou na codireção, edição e gravação do documentário “Subversiva Natureza”, de 2025, e dirigiu o minidocumentário “Ela é Afro”, dedicado aos bastidores do álbum homônimo de César Mello. Como assistente de produção e produtor de eventos, participou de projetos realizados com artistas como Elomar Figueira Mello, Dani Lasalvia e César Mello.
Sua trajetória inclui ainda estudos de atuação, interpretação, dublagem, cinema e direção cinematográfica, além do trabalho com criação e desenvolvimento de projetos digitais. Na área de web design e programação, assina trabalhos para a IC Cultura e para os atores Matheus Braga e José Mayer. Também é responsável pela criação, pelo design e pela programação do portal do Canal Diversão & Arte.
Em “Selvagem”, além da produção e gestão desenvolvidas em parceria com a Sete Veredas Produções, Dinho Santoz assina o design gráfico do espetáculo.
Uma obra sobre deslocamento e reinvenção
Natural de Campinas, Marília Passos mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar teatro, dança e literatura. Depois de uma década de atuação em novelas e filmes, passou a dedicar-se à escrita. É autora de romances e de uma peça teatral, além de ter colaborado em coletâneas de contos e roteiros.
Embora seus livros apresentem personagens e universos distintos, a busca pela individualidade, a reinvenção e o desejo de romper com uma vida que já não corresponde à própria verdade aparecem como questões recorrentes em sua obra.
Em “Selvagem”, esse movimento se materializa na travessia de Mariana. A distância geográfica revela um deslocamento mais profundo: o esforço de uma mulher para reconhecer o que deseja, rever suas escolhas e assumir a responsabilidade por sua própria transformação.
Ao chegar ao teatro, a história encontra uma nova forma de contato com o público. A experiência individual da personagem passa a ser compartilhada no tempo presente da cena, transformando sua trajetória em uma provocação sobre medo, desejo, amor e a coragem necessária para mudar.

SELVAGEM
Temporada: de 13 de agosto a 4 de setembro de 2026
Dias e horários: quintas e sextas-feiras, às 20h
Local: Teatro Gláucio Gill, Praça Cardeal Arcoverde, s/nº, Copacabana, Rio de Janeiro
Duração: 1h15
Classificação indicativa: 14 anos
Sessões com intérprete de Libras: 20 e 28 de agosto
Ficha Técnica
Direção: Fernando Philbert
Texto: Marília Passos
Adaptação: Marília Passos, Gabriela Rosas e Fernando Philbert
Elenco: Gabriela Rosas
Música original: Marcelo Alonso Neves
Direção de movimento: Monique Ottati
Iluminação: Vilmar Olos
Cenografia: Natália Lana
Figurino: Tiago Ribeiro
Costura do figurino: Maria de Jesus
Assistente de direção: Monique Ottati
Cenotécnico: André Salles
Cenógrafa assistente: Alessandra Rodrigues
Costureira de cenário: Nice Tramontin
Cenotécnica: A Salles Cenografia, André Salles, Walmir Jr., Wellington Carmo e Marcinho Domingues
Fotos: Gui Maia
Assistente de fotografia: Wagner Alves
Maquiagem e cabelo: Vitor Martinez
Coordenação de produção: Heder Braga
Assistente de produção: Malu Gonçalves
Operação de som: Ana Lúcia Lima
Designer gráfico: Dinho Santoz
Assessoria de imprensa: Rachel Almeida (Racca Comunicação)
Idealização: Gabriela Rosas e Marília Passos
Produtora administrativa: Aryane Barcelos
Controller: Priscila Cardoso
Contabilidade: Joelma Matos
Jurídico: Marilene Teixeira
Produção e Gestão do projeto: Dinho Santoz / Sete Veredas Produções
O projeto “Selvagem” é uma iniciativa do Ministério da Cultura, com realização da Sete Veredas Produções, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
